nos tempos bons do sabadinho bom!

nos tempos bons do sabadinho bom!

Todo ou quase todo sábado era assim: a pedida era a praça Rio branco. Dizendo assim são poucos – acredito – que saberão de que se trata essa referência. A praça Rio Branco? Por que a pedida? Era sábado. E assim como era gostoso o francês daquele filme, segundo o seu diretor, era gostoso estar ali tomando uma cervejinha gelada no Galego,  e dançar, mesmo sentado, no ritmo dos bêbedos e equilibristas que faziam daquele espaço um verdadeiro circo.

 As figuras eram as mais estranhas e divertidas. Estranhas. Principalmente estranhas.  O divertimento dependia de cada um. Não foram poucas as vezes que lá estivemos. Não lembro, porém, de um dia sequer em que tenhamos dançado fora de nossas cadeiras. Mas dançamos. As atrações nos atraíam menos que os brincantes. Nenhuma vergonha em serem felizes. Muitos fora no ritmo, mas o coração no compasso da alegria. Afinal, depois da descoberta do Newton Mendonça, esse genial artista engolido pelo mais genial ainda Tom Jobim, seu famoso – e botem fama nisso –  parceiro, os desafinados também tem um coração. Muitos até mesmo dois.  Esse outro  da mulher amada, apaixonado, morando dentro do mesmo peito.  

SABADINHO BOM DAPENHA E EU PICASA

 Ninguém se importava com o “calor de rachar” que ali sempre fez.  A cerveja gelada, porém,  abrandava tudo. E, se não bastasse, o encontro com velhos amigos era de uma leveza que o calor dali fugia a galope. Acho mesmo que o meu bom irmão/amigo Dapenha ainda nem tinha voltado de uma vez por todas para esta  cidade de onde nunca deveria ter saído. Ou deveria ? Mas valeu pelo fato de ter saído apenas para poder voltar um dia. E voltou. Era como ter saído fosse necessário para voltar. Estão lembrados? Isso mesmo. Assim como aconteceu com o mais musical dos baianos.

 O sabadinho era um ótimo programa de fim de semana. Nada de programa de índio. O programa de índio continua sendo o de ser respeitado como tal, e trocar o velho apito pelos direitos que lhes são negados. Também não me lembro se o meu amigo/irmão ainda estava por aqui dando uns beijinhos de leve  num copo espumante de loura cevada. Mas não importava. Não importa. A companhia é o que ainda conta. E essa nos embriaga de prazer.

 Hoje, aqui enclausurado na minha ilha cercada de livros e discos e filmes por todos lados, evitando ouvir a todo minuto que um amigo acabou de partir na péssima companhia desse vírus sacana, sinto falta dos nossos sabadinhos bons, sinto falta de nós, sinto falta das nossas vidas. Assim, seja no sábado ou qualquer dia da semana, queremos as nossas vidas de volta. Ah, e os sabadinhos bons!

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