o sussurro do vendedor de castanha e amendoim à beira-mar

o sussurro do vendedor de castanha e amendoim à beira-mar

não sou muito bom de calcular a idade alheia olhando apenas para a cara lisa ou cheia de pregas daqueles que passam ou ficam. essas, as pregas, as rugas, valem muito na contagem dos anos. uma conquista. sem dúvidas. embora muitos conquistem-nas (epa!) ainda  na flor da idade. pausa. não sou muito também de colher esse tipo de flor.

dessa vez ele passou rápido como está passando a juliette e tão rápido como passou   a luiza do canadá. amendoim e castanha. foi o que ouvi.

o grito – não foi mesmo um -não tinha a sonoridade que ouvia de outros vendedores de rua nos meus tempos de menino-jaguaribe. não tinha aquela poesia do ferro batendo no triangulo doce do cavaco chines, nem o grito que nos dava água na boca do cuscuz bondade. era assim como o grito de “sorvete” que escutava baixinho na cozinha da minha mãe dona chiquinha.

 ele passou e parecia sussurrar. nada de gritos e sussurros. sussurrou “amendoim e castanha”. apenas 

o que achei mais interessante foi aquela figura de um velho forte e falando tão baixinho, numa voz incompatível com a sua – dele- fortaleza.

não parou. sentiu no meu olhar que a minha fome não era de amendoim nem de castanha. também não perguntou qual era a fome que eu sentia.   foi rápido.  passou com a sua comida, e fiquei à beira-mar com a minha fome.

vendedor de amendoim

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