Ricardão e o desfolhar amarelado dos nossos ipês

Ricardão e o desfolhar amarelado dos nossos ipês

O advogado criminalista Antonio Ricardo Oliveira, o Ricardão, como é conhecido por muitos fora e dentro de sua criminalista área, é uma figura que, assim como fora em tempos outros o Livardo Alves, está sempre presente, todos os dias, em nosso Ponto de Cem Réis, ou como costumo lembrar, a Quadra de Esportes em que se transformou velho Ponto.  Ricardão, em se tratando desse espaço público, mesmo não trazendo na pele qualquer marca visível, é uma figura carimbada. Está sempre no Ponto. Nunca com reticências. 

É muito difícil encontrar quem nunca encontrou esse Ricardão, um sujeito bom por  natureza e de natureza ótima,  contando suas histórias e gesticulando à moda italiana, uma  de suas características mais marcantes. A gesticulação. 

Sempre disposto a uma boa conversa, Ricardão parece pescar com os seus olhos acostumados aos artigos e incisos e parágrafos e outros códigos fora do Código Penal  tudo que acontece nessa “boca maldita”. Há sempre uma observação para fazer e não raras vezes uma notícia para discutir. Mas , para quem conhece o Ricardão, sabe que essas  nunca acabam em inimizades. Luz, mais luz e sempre luz! Gritam os discursos “ricardistas”.

Dessa vez, porém, encontrei um Ricardão mais poético e sentimental do que nunca, fazendo questão de ressaltar o que os olhos de muitos viram, mas infelizmente poucos souberam ou não quiseram do que viram falar: os ipês amarelos do nosso Parque Sólon de Lucena!

Sem muito prosa, uma coisa rara no Ricardão, mas numa prosa boa, confissão feita por ele,  foi logo perguntando, sem esperar resposta  para o que fora perguntado,  se ainda escreveria algumas mal-traçadas antes da despedida desse “ano que se vai,  deixando saudades”.  Por quê? Simples: porque o Ricardão gostaria de ler algumas mal-traçadas deste MB  a respeito dessa “beleza amarela”,  derramada no Parque Sólon de Lucena,  pelos imponentes Ipês amarelos”.

A mais bela ornamentação da Província das Acácias, essa mesma que hoje lembrando o amarelo derramado pelo chão na bela descrição poética do Ricardão, poderia ser chamada de Província dos Ipês Amarelos. E duvidava que alguém por melhor decorador natalino que fosse,  pudesse deixar o nosso Parque mais bonito. Assim, que  o nosso povo  aproveitasse.  Tudo era  de graça!  E os olhos, mesmo aqueles que vêem todas as garças negras e os arco-íris apenas como mensageiros de tempestades, agradeceriam.Escrever “alguma coisa” sobre essa beleza aberta ao público que em breve se recolheria, assim como a primavera que se corta da Cecília Meireles, para voltar mais bonita. Era o seu apelo.  

Foi emocionante. Um  sujeito de quase dois metros de altura,  se “derretendo” ante o desfolhar amarelado do nosso ipê (isso mesmo, o ipê é coisa nossa) na mais bela ornamentação da cidade. Para o bom Ricardão, se alguém passasse por ali e negasse o seu olhar àquela maravilha amarela, estaria cometendo um crime. Diferente do luar e o arco-íris que somente existem para serem vistos, mesmo não precisando dos nossos olhares para continuar existindo, os ipês sentir-se-iam muito bem existindo em nossas retinas.

Chorou. Confessa sem nenhum medo de parecer menor na sua altura.  Não chorou pelos pássaros que não suportando a poluição –  bolas natalinas com asas –  abandonaram os seus ninhos  e outras árvores foram enfeitar. Não lembrou as borboletas nem o vento que acenava lenços amarelos na despedida. Referia-se tão somente a protagonista  desse espetáculo natural  chamada pelo Jânio Quadros de “Flor Nacional”.

Deixei o Ricardão no Ponto e, rápido como uma flor (do ipê) que cai,  fui mais uma vez  embotar o meu olhar de amarelo. Tinha razão o Ricardão. Mas nada de “apenas” uma rima. A solução ?  Escrever algumas mal-traçadas sobre o espetáculo dos ipês amarelos da Lagoa. Viram ? Foi o que fiz. Ou tentei. 

EM TEMPO: a despretensiosa crônica (seria?), descoberta “dormindo” na Internet,  foi publicada na coluna (do jonal) deste MB , no jornal A UNIÃO, em 03 de Janeiro de 2011! E o nosso bom Ricardão, bom mesmo,  trocou de roupa e foi morar noutra cidade no dia 14 de março de 2020. Que lembrança!

ricardão

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