tinha uma estátua no meio do caminho do casal e do meu

tinha uma estátua no meio do caminho do casal e do meu

Dizem por aí que a primeira impressão é a que fica. Maiormente (epa!) quando o sujeito vai preso e está sendo “fichado” na Delegacia de Polícia.  A minha primeira, porém, não ficou apenas nessa:  tinha certeza de que encontraria o poeta no Posto 6.  A postos. Pois é. Apostei e acertei.

 Naquele dia, lembro-me bem, servi de fotógrafo para um desconfiado casal argentino que desfilava no famoso calçadão da Praia de Copacabana.  Senti que o  casal estava grávido de vontade de tirar uma foto ao lado poeta itabirano (assim mesmo).   Mas vou logo dizendo que não a gravidade, mas essa vontade nele. O casal não estava apenas desconfiado, mas, além disso, com muito medo.

 O Rio de Janeiro, ali babá e todos os ladrões do mundo sabem  disso, é conhecido tanto pela sua beleza – Belíssimo! Só não é mais que o meu Bairro Jaguaribe! – quanto pelo medo de andar no Rio por daqueles que no Rio chegam pela primeira vez e até mesmo na segunda e na terceira.

 Tirar uma  selfie, o casal deve ter percebido, não pegaria tão bem naquele momento. A estátua do poeta fiaria escanteada. É  a palavra: escanteada.  Assim, em quem poderia confiar a sua – dele, dele –  máquina de última geração para registrar esse  momento histórico e, em especial, poético?

 Nesse instante, percebendo o medo e a desconfiança do casal, não pensei duas vezes:  entreguei (a confiança) o meu celular ao jovem argentino,  esse que estava próximo da última geração, o argentino não, o meu celular, e pedi-lhe que registrasse essa lembrança ao lado poeta. Se ele ficou surpreso?  Também senti.

 Pronto, pensei, agora ele vai confiar a sua máquina a esse marujo de terceira viagem com o poeta. Agradeci a foto por ele batida e, em seguida, ofereci-me para a sua bater. O casal era somente sorriso e confiança. A confiança ocupou o lugar do medo. Entregou-me, então,  a sua preciosidade, e registrei o momento.  Depois conferi: saiu muito bem!   Assim como este MB que vocês veem aí.

Porquanto (epa!), hoje uma segunda-feira um tanto insossa, como diria o poeta e excelente “segundo caderno” Marcos Tavares, declarado inimigo público número um desse dia, “estou” no Rio de Janeiro. Porém, e ai porém, muito em breve, muito mesmo, mais uma vez estaremos juntos: o poeta e eu

Em tempo se tempo ainda eu tiver: A estátua pesa cerca de 150 quilos, ali instalada em 2002, obra do artista mineiro Leo Santana, foi feita para retratar um momento rotineiro da vida de Drummond, a partir de registro fotográfico feito por Rogério Reis. Sua inauguração se deu em meio às homenagens ao do poeta que, embora mineiro, passou parte significativa de sua vida no Rio de Janeiro

drummond e eu

 

Compartilhar...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*


1 × seis =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>